MINHA VIDA DE HIGHLANDER II – A CACHOEIRA

             No começo dos anos 80 depois de muitos anos de praia, resolvi me aventurar no mato. Conheci Conceição de Ibitipoca, em Minas, Macaé de Cima, no Rio, mas foi em Lorena, São Paulo, que se passou a história que ora vou contar.

Alguns amigos e amigas resolveram passar o fim de semana no sítio da família do Aquino. Éramos, se não me engano, cinco pessoas: Eu, Paulinho, Aquino e duas meninas que, sinceramente, não  lembro os nomes. Fazia uma fria manhã, no sábado. Mas o frio não foi suficiente para nos impedir de desbravar a região.

- Aqui tem cachoeira? – perguntou uma das meninas.

- Tem, mas a gente chega nela por cima, desce pelas pedras, até chegar na parte banhável. – respondeu o Aquino, profundo conhecedor do local.

E assim foi feito. Chegamos pelo alto. Ainda não havia nem o leito de rio, apenas um lodo e um filetinho de água que escorria para baixo. Paulinho, Aquino e uma das meninas se adiantaram para chegar logo na parte baixa e eu fiquei atrás com a outra menina. Devia estar contando alguma vantagem, quando quis, para me mostrar, é claro, pular o lodo para chegar perto do filetinho de água. Só que não cheguei do outro lado. Escorreguei, tomei o maior estabaco e fui descendo pelo lodo.

- Volta aqui! – gritou a menina.

- Não dá.

Não dava para me levantar. Devagarzinho fui descendo, passei pelos três que estavam à frente, que me olharam sem entender o que estava acontecendo,  e, aos poucos, todos os filetinhos e lodos foram convergindo na minha direção. A velocidade da água aumentou, o desespero baixou e não havia nada que eu pudesse fazer. De repente apareceu, na minha frente, uma pedra enorme. Pensei:

 “Phodeu! Vou me arrebentar todo.”

 Deixei o corpo mole e me entreguei a Deus. O forte fluxo da água me fez rodear a pedra e me jogou numa piscininha, que mais parecia um pinico. Cai sentado. O coração batia forte, as pernas tremiam, mas pelo menos eu estava salvo e aparentemente ileso. Não demorou muito Aquino chegou e me falou, com a calma dos que não querem te desesperar:

- Me dá sua mão e levanta com muito cuidado.

- Tá tranqüilo. Dá pra sair sozinho.

- Me dá sua mão e levanta com muito cuidado.

Eu não estava entendendo porque ele repetia, quase como um robô, aquela frase. O pior já tinha passado, agora era só sair do piniquinho e pronto.  Para não ser mal educado,  aceitei a ajuda e sai. Na hora que eu estava firme na pedra, foram os quatro que caíram com as pernas trêmulas.

O fato era que logo abaixo do “piniquinho” tinha uma queda d´água de mais de 30 metros. O pior não havia passado na hora que eu pensei.

Depois, refletindo com calma, cheguei a conclusão que fui salvo por um pinico. Escorreguei numa cachoeira que eu não conhecia, ralei as costas, morri de medo,  só para me mostrar. A queda era fatal. E se não tivesse a pedra no meio do caminho? E se não tivesse o piniquinho?

Essa história pode ser comprovada por Paulo Sérgio Velloso, o Paulinho.

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