Um Autor à Procura de Personagens

Acontece com todo mundo que gosta de escrever: tem dias que as ideias não aparecem. A tela do computador custa para ganhar aquelas letrinhas, que juntas formam uma história. E foi exatamente num desses dias que resolvi ir à cidade Fantástica.
Peguei o primeiro trem com destino àquele estranho vilarejo em busca de personagens para uma história. Depois de uma viagem extenuante, finalmente cheguei e fui recebido pela autoridade local e seus dois assistentes:

– Detetive Havana, eu presumo.

– Sou eu mesmo. Com quem estou falando?

– Meu nome é Trigo, Márcio Trigo

– Então você é o autor que estamos esperando. O prefeito Estrela me recomendou tratá-lo como convidado especial da cidade.

– Fico muito agradecido, mas eu não tenho muito tempo para curtir a cidade. Tenho que criar uma história e estou sem ideia. Penso em achar algum personagem diferente.

Ao ouvir “personagem diferente”, Havana sugeriu irmos ao bairro do terror. Lá moravam vampiros, bruxas, duendes, dragões. Mas não era bem isso o que eu estava procurando.

– Posso dar uma sugestão?

– Não atrapalha agora, Bovino. – Havana cortou um dos seus assistentes – Posso te levar agora ao morro da Bola Murcha, lá existe personagens bem populares.

No morro o pagode comia solto. Muitos sambistas, mulatas e turistas estavam se divertindo, mas ninguém me interessava.

– Agora eu não sei o que fazer. – Havana parecia abatido.

– Tá que nem eu. Eu nunca sei o que fazer. – o tal Bovino era bastante espirituoso.

– Bovino, agora não é hora para brincadeiras.

– Muito bem, Boçal, estou gostando de ver seu profissionalismo.

Bovino e Boçal me pareceram uma boa dupla de personagens.

– Se o senhor quiser eu posso entrar em alguma história sua.

– Deixe de besteira, Bovino. Aqui, na cidade Fantástica, nós somos a lei, e sem nós, evidentemente, a lei acaba. – Havana foi categórico

– Nossa como o chefe fala “bão”!

– Bovino, deixa de ser Boçal, não é “como o chefe fala bão” é “como o chefe fala bom”, não é, seu Havana?

Sem deixar o detetive Havana perder a paciência com Bovino e com Boçal, interrompi a conversa.

– Encontrei meus personagens.

– Ué, mas nós nem fomos à praia do Tomate! Lá moram as sereias, os pescadores, os caranguejos…

– Meus personagens são vocês três. – eu disse – um detetive obstinado e dois assistentes atrapalhados. Isso pode render ótimas histórias.

O espanto foi geral, mas o detetive foi logo desconversando.

– Sinto muito, seu Márcio Trigo, mas nós não poderemos sair daqui da cidade Fantástica.

O que ele não sabia era que eles não precisariam sair da cidade.

– Nesse momento várias crianças estão lendo vocês.

Na verdade tudo o que acontece na cidade Fantástica vira história. O espanto se tornou alegria para eles:

– Quer dizer que a gente já era personagem e não sabia?

– Isso mesmo, Boçal. Às vezes você me surpreende.

Detetive Havana mal disfarçava seu contentamento, mas Bovino era o mais animado:

– Oba! Meu sonho se tornou realidade.

E de agora em diante muitas histórias acontecerão na cidade Fantástica. E Havana, Boçal e Bovino terão lugar obrigatório.

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Comentários

Já estou curioso para ler o primeiro caso desta trinca!

Márcio,
vc é muito bom e mesmo conhecendo o
que vc faz eu ainda e sempre me surpreendo.
bj
Patricia

Oi,eu tenho 9 anos e eu tambem tenho um blog onde escrevo historias!Prá quem se interessou o endereço do blog é:
http://www.yayanovaes.blogspot.com

bjs,
Yasmin

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